O tradicional Paysandu, inúmeras vezes campeão estadual, bi campeão da Série B nacional e campeão da Copa dos Campeões em 2002, busca o título nacional e melhores dias para o futebol paraense, que nos últimos anos viu um Clube do Remo endividado, sem calendário e fora das competições nacionais. Além das dificuldades enfrentadas pelo maior rival, o Campeonato Paraense viu nos últimos anos, fatos inéditos como os primeiros títulos de equipes do interior, com Independente e Cametá em 2011 e 2012, respectivamente.
Por outro lado, o Macaé busca firma-se como a quinta força do futebol carioca com o inédito acesso à Série B. A agremiação de 24 anos, disputa desde 2008 a primeira divisão do Campeonato Carioca e desde então esteve sempre na Série C (com exceção a temporada de 2009, onde disputou a Série D). O Macaé bateu na trave nas últimas duas temporadas da Série C, quando caiu nas quartas-de-final para o próprio Paysandu e ano passado para o Sampaio Corrêa. Esse ano porém, conseguiu o inédito acesso ao eliminar o Fortaleza em um Castelão lotado.
Para o Rio de Janeiro, o acesso do Macaé pode representar também uma afirmação para os times do estado no segundo escalão do futebol nacional. Na última década, apenas Vasco (2009 e 2014) e Duque de Caxias (2009, 2010 e 2011) representaram o Rio de Janeiro na Série B.
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| Vendedores aproveitaram o bom momento do Macaé, e substituíram as camisas dos grandes da capital, por bandeiras e camisas do Macaé. |
A final do último sábado foi a minha terceira vez no estádio Moacyrzão. A primeira foi em uma derrota do Macaé para o Botafogo no Campeonato Carioca de 2012 e a segunda foi na atual edição do Campeonato Brasileiro, em um sonolento empate em 1 a 1 entre Botafogo e Vitória. Na única partida que assisti até então com o Macaé atuando, houve do lado de fora do estádio uma predominância de variados produtos dos quatro grandes do Rio de Janeiro com uma óbvia superioridade de bandeiras e camisas do Botafogo. Não lembro de ter visto varais com camisas do Macaé nessa partida de 2012. Esse ano por outro lado, comerciantes investiram em camisas e bandeiras do time da cidade, e a foto acima ilustra apenas um desses vários varais de camisas e bandeiras.
Além dos vendedores ambulantes com varais de camisas, o clima do lado de fora do estádio mostrava a importância da partida. Alguns fanáticos torcedores do Macaé cantavam enquanto uma grande quantidade de torcedores do Paysandu circulavam fora do estádio. As intermediações do estádio estavam repletas de torcedores. Provavelmente o Moacyrzão recebeu pela primeira vez macaenses de todas as idades que sentiram-se atraídos pela importância da partida e também por uma promoção da prefeitura da cidade que disponibilizou 5 mil entradas de forma gratuita. Mais de 7 mil pessoas compareceram ao estádio. Pouco para uma final e para os 15 mil ingressos disponíveis.
Dentro do estádio a torcida do Macaé tentava criar um clima de festa e espantar o tempo ruim, o que resultou em uma adesão de parte dos novos simpatizantes do alvianil praiano em determinados momentos. Muitos ainda não familiarizados com o time perguntavam qual era o Macaé. Afinal, o Macaé vestia camisa listrada em branca e azul claro, assim como o principal uniforme do Paysandu, que na ocasião veio todo de azul, como o atual segundo uniforme do Macaé. Outra curiosidade ficou por conta da numeração do Paysandu, que em comemoração ao seu centenário, entrou em campo com uma numeração centenária. Ou seja, o goleiro Paulo Rafael vestiu o número 112 no lugar do 12, e assim por diante.
Conhecia muito pouco sobre os jogadores em campo. Por parte do Macaé, conhecia apenas o goleiro Milton Raphael. O capitão e ídolo Gedeil, fora por lesão e o reserva Laerte (zagueiro artilheiro do Americano) que não saiu do banco, eram outros do elenco. No Paysandu o destaque era o meia Héverton, quase um ano após o episódio que resultou no rebaixamento da Portuguesa. Outro nome conhecido do papão, não apenas pelo apelido exótico como também pela boa participação no último acesso do Paysandu à Série B em 2012, era Yago Pikachu.
Antes mesmo da bola rolar, o interior do Rio de Janeiro presenciou nas arquibancadas do estádio Moacyrzão um fato inusitado: um Re-Pa! Isso porque torcedores do Remo, provavelmente residentes em Macaé, comparecem ao estádio para torcer contra o eterno rival Paysandu. Por conta disso, mesmo na parte destinada aos torcedores do time mandante, era comum encontrar bandeiras do estado do Pará. A torcida do Paysandu (em maior número) não deixou barato e respondia com mais provocações.
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| Alguns torcedores do Remo se aproximaram o máximo possível da torcida do Paysandu para provocá-los. Um Re-Pa em Macaé! |
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| Uma das muitas camisas do Remo na torcida do Macaé... |
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| Torcedor coberto com uma bandeira do Remo. |
Com a bola rolando, o Macaé foi superior durante todo o primeiro tempo apesar das poucas chances concretas de gols. O Paysandu por outro lado, até incomodou o goleiro macaense mas não conseguiu animar a sua torcida, tão conhecida exatamente por sua presença marcante nas arquibancadas. No final do primeiro tempo, a partida esquentou e resultou na expulsão do jogador Marcos Paraná do Paysandu. O atleta foi expulso após levar um cartão amarelo e posteriormente um vermelho. Detalhe: Marcos Paraná foi expulso por reclamação e mal entrou em campo, pois levou as duas advertências na condição de reserva.
No segundo tempo, o Macaé foi para cima e aos 16 minutos abriu o placar com o atacante João Carlos. Fato curioso foi que o gol do Macaé foi tão comemorado pela torcida local, que a empolgação trouxe gritos de: "O campeão voltou" (!!). O camisa nove quase saiu como herói da partida, mas os minutos finais foram todos de pressão do Paysandu, que contou o despertar de sua torcida no Moacyrzão. Acabou dando certo. Yago Pikachu empatou em cobrança de falta. O grito de "O campeão voltou" acabou indo parar na torcida do Paysandu, no final.
Péssimo resultado para o Macaé que foi superior durante todo o jogo e aproveitou muito mal todas as grandes oportunidades que teve, e excelente para o Paysandu que arrancou um empate no final e leva a vantagem para a segunda partida da final em Belém.
Péssimo resultado para o Macaé que foi superior durante todo o jogo e aproveitou muito mal todas as grandes oportunidades que teve, e excelente para o Paysandu que arrancou um empate no final e leva a vantagem para a segunda partida da final em Belém.
Pelo que apresentaram durante essa fase final da competição e na própria partida da final, Paysandu e Macaé tem tudo para fazer uma final e tanto no Mangueirão no sábado, uma final de estádio lotado e bom futebol. Vale lembrar a grande final entre Santa Cruz e Sampaio Corrêa da Série C no ano passado com direito a Arruda lotado.






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