30 de março de 2014

Documento1 - Microsoft Word

Pisar num gramado pela primeira vez deve ser uma sensação incrível, mas provavelmente nem se compara ao prazer de escrever para um blog de tanto renome. O frio na barriga é inevitável, mas é só a bola rolar que o craque brilha.

Já vinha combinando há um tempo com dois amigos de visitar a Rua Bariri, ilustre estádio do Olaria. Coincidentemente decidimos ir na mesma semana em que rolou a ideia de voltar a escrever depois de um tempo parado. Mesmo que de forma tardia, já que o jogo aconteceu no dia 22, resolvi dedicar essa primeira postagem pra esse encontro que, com certeza, traria muitas histórias.

Além de acompanhar jogos da série B do Carioca, esse clima de subúrbio nos arredores de estádios como a Bariri me fascina. Vivi isso minha vida inteira, praticamente no quintal de casa. Mas o Moça Bonita fica pra outro dia.

Chegamos cedo e decidimos comprar logo o ingresso e visitar um bar qualquer, mas estranhamente a bilheteria estava fechada. Fomos então até a Social do clube e descobrimos que o jogo seria com portões fechados. Nossa indignação com a falta de informações sobre isso quase acabou com nosso ânimo, mas isso é papo lá pra baixo. Mesmo com muita insistência não teve jeito: fomos barrados. Resolvemos dar a volta no estádio, só porque não tínhamos mais nada pra fazer mesmo. No caminho, avistamos uma feirinha de roupas femininas dentro do próprio estádio. Entramos, compramos umas roupas íntimas, e vimos um cubículo que era usado como provador e tinha vista para o campo. 



Pois é, eu também me envergonho disso, mas nos apertamos ali e fechamos pra que ninguém entrasse. Pelo menos conseguimos ver o final da preliminar entre os juniores, porém quando nos demos conta de quão ridículo seria passar 90 minutos ali, saímos. Mais uma volta e paramos novamente na Social do clube, onde fica o restaurante. Observamos uma porta aberta que dava acesso ao Salão Nobre, que imaginamos ter uma vista privilegiada do campo. Enquanto um mostrava as peças que tínhamos acabado de adquirir na feirinha pro segurança, os outros entravam escondidos no salão de festas. Entre as pilastras conseguimos ver uns dez minutos de jogo, mas infelizmente fomos notados por seguranças que estavam no gramado e preferimos, mais uma vez, abandonar a missão.

Mas o dia não poderia terminar melhor: um boteco na própria rua Bariri. Um final regado à cerveja barata e costela na brasa, ao som de José Augusto e Belchior na jukebox. Ah, o jogo era Olaria x Americano valendo pela nona rodada da série B do Campeonato Carioca e terminou em 1x1. 

Descaso com a torcida

Abandonando o lado cômico da história, volto à informação (ou falta dela) sobre o jogo. Pode até ter parecido displicência, mas como de costume olhamos os portais de esportes e até o site da própria FERJ em busca de detalhes sobre o jogo como escalações, preço dos ingressos, abertura dos portões, carga total de ingressos, etc. e não achamos nada. Fico muito triste com esse desdém da federação com os torcedores. 

É sabido que isso também acontece na série A, claro que em menor escala, mas nas divisões de acesso esse fato é gritante. Nossos portais de comunicação esportiva, mesmo os não-tradicionais, parecem não fazer questão de noticiar o pequeno. Existe uma massa ainda ativa que precisa de informações prévias. Vi alguns senhores que vieram de longe muito desapontados não só porque foram impedidos de ver o jogo, mas também por não haver nenhum aviso oficial do clube. O próprio Olaria não tem site oficial, o que dificulta ainda mais e acaba afastando sua torcida.


Nota do editor

Ao buscar uma forma de contato com a FERJ pela própria página da instituição, tivemos a surpresa de ter dado erro nas três tentativas de enviar a mensagem (clique na imagem abaixo). Por essas e outras, para as próximas postagens estamos preparando uma breve análise dos sites dos clubes da série A e B do Campeonato Carioca. Aguardem.


2 comentários:

  1. Boa análise, quase me senti presenciando os fatos acima citados, Parabéns pelo "Documento 1..."

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  2. Se o descaso com a comunicação dos Clubes de da FERJ continuar, a resenha será sobre os bons bares nos entornos dos estádios, ao invés dos jogos.

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