19 de novembro de 2014

Dia histórico em Macaé

O estádio Cláudio Moacyr de Azevedo, também conhecido como Moacyrzão, localizado na cidade de Macaé, recebeu no último sábado (15) a partida mais importante dos seus 32 anos (ou quatro, para os que preferem contar após a sua grande reforma), a primeira partida da final da Série C do Campeonato Brasileiro. O título está em jogo entre o novato Macaé e o centenário Paysandu. Além dos finalistas, CRB e Mogi Mirim que caíram nas semifinais, já estão garantidos na Série B em 2015.

O tradicional Paysandu, inúmeras vezes campeão estadual, bi campeão da Série B nacional e campeão da Copa dos Campeões em 2002, busca o título nacional e melhores dias para o futebol paraense, que nos últimos anos viu um Clube do Remo endividado, sem calendário e fora das competições nacionais. Além das dificuldades enfrentadas pelo maior rival, o Campeonato Paraense viu nos últimos anos, fatos inéditos como os primeiros títulos de equipes do interior, com Independente e Cametá em 2011 e 2012, respectivamente.

Por outro lado, o Macaé busca firma-se como a quinta força do futebol carioca com o inédito acesso à Série B. A agremiação de 24 anos, disputa desde 2008 a primeira divisão do Campeonato Carioca e desde então esteve sempre na Série C (com exceção a temporada de 2009, onde disputou a Série D). O Macaé bateu na trave nas últimas duas temporadas da Série C, quando caiu nas quartas-de-final para o próprio Paysandu e ano passado para o Sampaio Corrêa. Esse ano porém, conseguiu o inédito acesso ao eliminar o Fortaleza em um Castelão lotado.

Para o Rio de Janeiro, o acesso do Macaé pode representar também uma afirmação para os times do estado no segundo escalão do futebol nacional. Na última década, apenas Vasco (2009 e 2014) e Duque de Caxias (2009, 2010 e 2011) representaram o Rio de Janeiro na Série B.

Vendedores aproveitaram o bom momento do Macaé, e substituíram as camisas dos grandes da capital, por bandeiras e camisas do Macaé.

A final do último sábado foi a minha terceira vez no estádio Moacyrzão. A primeira foi em uma derrota do Macaé para o Botafogo no Campeonato Carioca de 2012 e a segunda foi na atual edição do Campeonato Brasileiro, em um sonolento empate em 1 a 1 entre Botafogo e Vitória. Na única partida que assisti até então com o Macaé atuando, houve do lado de fora do estádio uma predominância de variados produtos dos quatro grandes do Rio de Janeiro com uma óbvia superioridade de bandeiras e camisas do Botafogo. Não lembro de ter visto varais com camisas do Macaé nessa partida de 2012. Esse ano por outro lado, comerciantes investiram em camisas e bandeiras do time da cidade, e a foto acima ilustra apenas um desses vários varais de camisas e bandeiras.

Além dos vendedores ambulantes com varais de camisas, o clima do lado de fora do estádio mostrava a importância da partida. Alguns fanáticos torcedores do Macaé cantavam enquanto uma grande quantidade de torcedores do Paysandu circulavam fora do estádio. As intermediações do estádio estavam repletas de torcedores. Provavelmente o Moacyrzão recebeu pela primeira vez macaenses de todas as idades que sentiram-se atraídos pela importância da partida e também por uma promoção da prefeitura da cidade que disponibilizou 5 mil entradas de forma gratuita. Mais de 7 mil pessoas compareceram ao estádio. Pouco para uma final e para os 15 mil ingressos disponíveis.




Dentro do estádio a torcida do Macaé tentava criar um clima de festa e espantar o tempo ruim, o que resultou em uma adesão de parte dos novos simpatizantes do alvianil praiano em determinados momentos. Muitos ainda não familiarizados com o time perguntavam qual era o Macaé. Afinal, o Macaé vestia camisa listrada em branca e azul claro, assim como o principal uniforme do Paysandu, que na ocasião veio todo de azul, como o atual segundo uniforme do Macaé. Outra curiosidade ficou por conta da numeração do Paysandu, que em comemoração ao seu centenário, entrou em campo com uma numeração centenária. Ou seja, o goleiro Paulo Rafael vestiu o número 112 no lugar do 12, e assim por diante.

Conhecia muito pouco sobre os jogadores em campo. Por parte do Macaé, conhecia apenas o goleiro Milton Raphael. O capitão e ídolo Gedeil, fora por lesão e o reserva Laerte (zagueiro artilheiro do Americano) que não saiu do banco, eram outros do elenco. No Paysandu o destaque era o meia Héverton, quase um ano após o episódio que resultou no rebaixamento da Portuguesa. Outro nome conhecido do papão, não apenas pelo apelido exótico como também pela boa participação no último acesso do Paysandu à Série B em 2012, era Yago Pikachu.

Antes mesmo da bola rolar, o interior do Rio de Janeiro presenciou nas arquibancadas do estádio Moacyrzão um fato inusitado: um Re-Pa! Isso porque torcedores do Remo, provavelmente residentes em Macaé, comparecem ao estádio para torcer contra o eterno rival Paysandu. Por conta disso, mesmo na parte destinada aos torcedores do time mandante, era comum encontrar bandeiras do estado do Pará. A torcida do Paysandu (em maior número) não deixou barato e respondia com mais provocações.

Alguns torcedores do Remo se aproximaram o máximo possível da torcida do Paysandu para provocá-los. Um Re-Pa em Macaé!
Uma das muitas camisas do Remo na torcida do Macaé...
Torcedor coberto com uma bandeira do Remo.

Com a bola rolando, o Macaé foi superior durante todo o primeiro tempo apesar das poucas chances concretas de gols. O Paysandu por outro lado, até incomodou o goleiro macaense mas não conseguiu animar a sua torcida, tão conhecida exatamente por sua presença marcante nas arquibancadas. No final do primeiro tempo, a partida esquentou e resultou na expulsão do jogador Marcos Paraná do Paysandu. O atleta foi expulso após levar um cartão amarelo e posteriormente um vermelho. Detalhe: Marcos Paraná foi expulso por reclamação e mal entrou em campo, pois levou as duas advertências na condição de reserva.

No segundo tempo, o Macaé foi para cima e aos 16 minutos abriu o placar com o atacante João Carlos. Fato curioso foi que o gol do Macaé foi tão comemorado pela torcida local, que a empolgação trouxe gritos de: "O campeão voltou" (!!). O camisa nove quase saiu como herói da partida, mas os minutos finais foram todos de pressão do Paysandu, que contou o despertar de sua torcida no Moacyrzão. Acabou dando certo. Yago Pikachu empatou em cobrança de falta. O grito de "O campeão voltou" acabou indo parar na torcida do Paysandu, no final.

Péssimo resultado para o Macaé que foi superior durante todo o jogo e aproveitou muito mal todas as grandes oportunidades que teve, e excelente para o Paysandu que arrancou um empate no final e leva a vantagem para a segunda partida da final em Belém.

Pelo que apresentaram durante essa fase final da competição e na própria partida da final, Paysandu e Macaé tem tudo para fazer uma final e tanto no Mangueirão no sábado, uma final de estádio lotado e bom futebol. Vale lembrar a grande final entre Santa Cruz e Sampaio Corrêa da Série C no ano passado com direito a Arruda lotado.

29 de julho de 2014

Dei minha chance ao futebol americano

Durante o meu final de semana de jogos mornos, como Santos x Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro, fiquei sabendo do Monday Night Football. O Monday Night Football é uma partida de encerramento da rodada na segunda-feira, tradicional evento do futebol americano (aquele da bola oval). Além de uma ótima forma de dar destaque a partida, vide a falta de concorrência, é também uma ótima forma de ganhar -mais- dinheiro. A disputa dessa vez válida pela MLS, a liga estadunidense de futebol, contou com o duelo entre Seattle Sounders e Los Angeles Galaxy.

Nunca tinha parado para assistir uma partida de futebol da MLS, mas por que deixar passar a oportunidade de curtir um futebol na segunda a noite na TV? Além disso, uma liga que na próxima temporada irá acrescentar jogadores como: Kaká, Frank Lampard e David Villa, em um campeonato que já conta com Thierry Henry, Tim Cahill, Jermain Defoe e que nos últimos anos atraiu de volta destaques do próprio país como Clint Dempsey e Michael Bradley, merece uma atenção.

E Seattle Sounders e Los Angeles Galaxy prometia uma bela partida. Além de duas equipes brigando pela ponta da tabela, nomes conhecidos como Clint Dempsey e Oba Oba Martins (aquele) pelo Seattle Sounders e Landon Donovan e Robbie Keane pelo Los Angeles Galaxy, eram os destaque de cada lado. Alguns brasileiros em campo tiveram destaque positivo também, como Marcelo e Juninho também pelo LA Galaxy.

Logo de cara, o grandioso CenturyLink Fiel ficou ainda mais bonito lotado, algo distante dos jogos pós-Copa em algumas arenas que ficaram de legado no Brasil. Além disso, a festiva torcida do Seattle Sounders cantava e pulava, mesmo após os 3 a 0 do Galaxy. Se dentro de campo o futebol dos Estados Unidos ainda peca em alguns aspectos, fora dele em nada parece dever aos principais campeonatos do mundo.

Em campo o Galaxy fez bonito. Não era nem metade do primeiro tempo e já estava com uma vantagem de dois gols. Gyasi Zardes marcou o primeiro, após assistência de Donovan. E o próprio Donovan aproveitou rebote do goleiro Frei para marcar o segundo. Mesmo com a vantagem no placar, o LA Galaxy continuou pressionando, parecia jogar como mandante, e antes do intervalo, fechou o placar com gol de Ishizaki (que apesar do nome, é sueco) após bela jogada do brasileiro Marcelo. Da partida fica uma pergunta: Donovan não tinha mesmo espaço na seleção de Klinsmann na Copa do Mundo?

Me divertir assistindo futebol não é difícil, e não foi diferente com o futebol dos Estados Unidos. Apesar disso, existe mais qualidade do que erroneamente se é dito sobre o futebol de lá. Provavelmente com as estrelas que a MLS irá contar daqui pra frente, ouvir falar do campeonato de futebol dos Estados Unidos será cada vez mais frequente. Fiquemos de olho...

6 de julho de 2014

Não é apenas o avanço às semifinais, que faz dessa Argentina memorável

Sim, vai ter Copa aqui nos Quase Relacionados!

O tempo infelizmente não tem nos permitido uma dedicação para escrever sobre a Copa do Mundo, mas os causos, as zebras, as goleadas e tudo que tem feito dessa a Copa das Copas (e não há nada de clichê nisso) estão sendo registradas da melhor forma possível em outros blogs pela rede. Até pela proposta do blog, faria muito mais sentido um texto elogiando a heroica participação da Costa Rica nessa Copa do Mundo, porém, trataremos dessa vez da seleção argentina.

Assim como as outras seleções da América Latina, a Argentina soube tirar proveito da melhor forma possível de um mundial próximo de casa, e após 24 anos, confirmou novamente presença nas semifinais de uma Copa, ao derrotar a Bélgica. E além de aproveitar o fator "casa" nos jogos para ficar entre as quatro principais seleções do mundo, a proximidade com o país, o olhar da imprensa internacional e a internet, fizeram a seleção Argentina, tornar-se um meio de propagar causas para o mundo e para os próprios argentinos, que ainda os preocupam. 

Nos amistosos de preparação para a Copa do Mundo, a seleção argentina causou incomodo a FIFA, ao exibir a faixa: “Las Malvinas son argentinas” (As Malvinas são argentinas). Já essa semana circulou na internet, fotos e um vídeo de Mascherano, Lavezzi e Messi segurando placas e faixas das Abuelas de Plaza de Mayo (Avós da Praça da Maio), um grupo de avós em busca de seus netos e outras crianças que foram sequestradas durante a ditadura militar argentina.


Aproveitando um texto antigo que havia deixado de lado sobre a indústria musical brasileira e a música latina, citei a banda argentina Attaque 77, e uma das suas canções que usei, foi do último disco de inéditas da banda, o Estallar de 2009, chamada Memoria. A música trata exatamente dessa questão envolvendo o seqüestro de crianças durante a ditadura militar, principalmente no governo de Jorge Videla.

E então fica a pergunta: por que falar de música nesse texto? Simples. Além de futebol e música casarem muito bem no mundo todo, na Argentina a paixão pelo futebol e o rock estão quase enraizadas nas canchas. E o Attaque 77 talvez seja uma das principais referências nesse tema. O Impedimento já falou dessa relação do Attaque 77 com o futebol, e fica a recomendação de leitura, até para a melhor compreensão do significado da foto abaixo, postada pela banda em sua página no Facebook, durante a Copa. 


Para encerrar fica a música Memoria e seu excelente clipe.

21 de abril de 2014

Goytacaz 5 x 1 Queimados - gols, virada, recorde e muita confusão

Placar do Aryzão exibe com orgulho: Goytacaz 5 x 1 Queimados

O título da postagem, embora não queira, poderia ter ainda mais cara de anúncio de filme da Sessão da Tarde. Se adicionarmos: festa, comida boa e cornetagem, não só teríamos uma bela aventura na televisão, mas também o que foi Goytacaz e Queimados pela Série B do Campeonato Carioca.

Antes de apresentar o motivo de uma partida pela Série B do Campeonato Carioca, ser tão divertida em uma quarta à noite, é preciso explicar como cheguei até lá. Desde 2011 moro em Campos dos Goytacazes, e posso dizer que desde 2012 acompanho com a frequência que me é permitida partidas do Goytacaz. E foi justamente em 2012 que pela primeira vez vi o Goytacaz em ação, em um empate sonolento contra o America, também pela Série B.

Em Campos dos Goytacazes costuma-se dizer que o Goytacaz tem a quinta maior torcida do estado do Rio de Janeiro, o que se mostra no predomínio nas listas de maiores públicos do Campeonato Carioca (inclusive entre clubes da Série A). Mas a maior prova ainda é ver ao vivo a torcida do Goytacaz comparecendo em massa ao estádio Ary de Oliveira e Souza, mesmo o time longe da primeira divisão desde 1992.

Assistir uma partida no Aryzão (como conhecido), é resgatar toda essência que o futebol brasileiro tem deixado escapar, principalmente nos últimos anos. Ver bandinha tocando durante a partida, concentração feminina nas torcidas organizadas, torcedor com radinho no ouvido, pipoca fresca, cocada caseira e churrasquinho de gato. Tudo tão barato que me faz esquecer do cachorro quente do Maracanã à 8 Reais e com dois pingos avermelhados que chamam de molho.

Bom, só isso já torna o entretenimento que é ir ao Aryzão melhor que assistir a Copa do Brasil na TV, mas vamos ao jogo.

O experiente Bóvio, campeão brasileiro em 2004, aquece durante a preliminar.

Enquanto acontecia a preliminar do sub-20 entre as duas equipes, torcedores presentes já teciam suas primeiras impressões sobre o Queimados. "Parece o Americano", era o que mais se ouvia nas arquibancadas, sobre o fato do uniforme da equipe visitante lembrar o do seu grande rival.

Com a bola rolando, se via a fraca campanha que as duas equipes apresentaram durante o primeiro turno do campeonato. Muitos gols perdidos e passes errados em ambos os lados. Apesar do domínio apresentado pelo Goytacaz, foi o Queimados quem abriu o placar com Celsinho. Após o gol inaugural, um integrante da comissão do Queimados comemorou de forma que torcedores do Goytacaz que estavam em volta (me encontrava nesse mesmo setor) consideraram agressiva. Parte da comissão do Queimados e dos atletas da base, acompanhavam a partida no setor atrás da meta defendida pelo goleiro visitante, e junto dos torcedores da casa, já que não havia um espaço destinado aos visitantes (e não havia torcida visitante). Junto com o início do tumulto, algum torcedor gritou que um membro do Queimados estava armado (o que não foi provado) e enquanto a segurança ainda chegava para compreender e acalmar a situação, os jovens torcedores da torcida organizada com mais integrantes no estádio, saiam das arquibancadas do outro lado do estádio, para ir em direção aos integrantes do Queimados, o que foi impedido pelos seguranças. O tumulto só se acalmou com o pênalti e gol marcado por Ricardo Bóvio, nove minutos após o gol do Queimados. Por fim, foi destinado um "espaço" no canto superior do mesmo setor e não voltou a ocorrer problemas entre os envolvidos.


Parte da comissão e atletas do Queimados que acompanhavam a partida, olhando em direção à entrada do setor, onde seguranças evitavam a entrada da torcida organizada do Goytacaz.

Com pouco tempo de jogo no segundo tempo, já era perceptível a superioridade técnica do Goytacaz. Bastaram alguns minutos para vir a vitória seguida de uma espetacular goleada. Antes dos 10 minutos o Goyta já ampliava o placar para 3 a 1, com gols de Bruno Britto e Rafael Rebelo. O mesmo Rafael Rebelo marcou o quarto de cabeça, e quando a partida parecia terminar nos 4 a 1, Gilmax, ainda longe do destaque que a torcida espera, dá uma arrancada do meio de campo, recebe e com um toque no canto fecha o placar. Festa da torcida e esperança que nesse segundo turno, a postura seja a do elenco que era tido como um dos mais fortes da competição.

Recorde

A vitória além do ajudar o Goytacaz na campanha para subir à primeira divisão, também mantém um recorde nacional pertencente ao alvianil de Campos. Atualmente, o Goytacaz tem a maior invencibilidade jogando em casa dentre dos clubes brasileiros. Com a vitória sobre o Queimados, o Goyta já não perde jogando há 33 partidas como mandante. Leia mais sobre o histórico recente do Goytacaz.

9 de abril de 2014

Moda suburbana

Che Guevara e Madureira em 1963
Em 2013, o time de Fut 7 do Madureira lançou um uniforme em homenagem aos 50 anos da excursão da equipe por Cuba. O bicampeonato da seleção brasileira em 1958 e 1962, motivaram o convite cubano para o tricolor. Ainda que a excursão tenha passado por outros países, a ida do Madureira à Cuba ficou marcada. Primeiro pelo fato do Madureira ser o primeiro time estrangeiro a disputar partidas em Cuba, após a revolução de 1959. Além disso, o Madureira terminou seus cinco encontros pelo país com cinco vitórias. Tamanho destaque é visto no encontro que houve entre o elenco e Ernesto Che Guevara (foto acima), antes da última partida do Madureira em Cuba, contra a seleção local. Os dois uniformes lançados ano passado, um de linha e outro de gol, remetem não apenas ao país cubano, como também a Che. Sendo o de linha na cor grená e o de goleiro a bandeira de Cuba. Em ambos está estampado o rosto de Che Guevara.

Uniforme lançado ano passado pelo time de Fut 7 do Madureira
Rapidamente o lançamento do Madureira se tornou notícia mundial, alcançando veículos como a CNN. A boa repercussão fez a equipe de futebol utilizar o uniforme no estadual desse ano na partida contra o Vasco. Vale lembrar que o uniforme do time de futebol do Madureira lançado esse ano, não vieram nas tradicionais três cores da equipe. Embora ainda tricolor, o Madureira esse ano jogou de azul, roxo e branco. Cores que remetem as primeiras da agremiação, que completa cem anos em 2014.

Menos de um ano após a camisa em homenagem à Che Guevara e Cuba, o time de Fut 7 do Madureira, lança outro uniforme que faz referência aos passeios que o clube fez pelo mundo durante a década de 60. Na semana passada, o FutRio noticiou que o novo uniforme do time de Fut 7 do Madureira, faria alusão aos 50 anos da excursão da equipe pela China de Mao Tse Tung. A temporada do Madureira na China ficou conhecida como “a viagem proibida”, devido a proibição imposta pela FIFA para a não disputa de jogos de futebol em terras chinesas. Fora essa imposição por parte da FIFA, aqui no Brasil acontecia o golpe militar em oposição a “ameaça” comunista.

O uniforme de linha predominantemente amarelo, traz em mandarim a frase “viagem proibida”, e o ano de 1964. Já o uniforme de goleiro, é a bandeira chinesa, assim como foi feito com a de Cuba.

A nova peça do Madureira não parece ter um apelo midiático e comercial tão grande como a do ano passado, mas não custa ficar de olho no que irá dar esse novo lançamento. Mesmo sem todo apelo do ano passado, o mercado chinês pesa nessa nova ação do Madureira. É interessante também pensar que essa reaproximação do Madureira com cubanos e chineses, não possam resultar numa simpatia maior dos brasileiros pelo viés ideológico, algo próximo do símbolo cult que se tornou o St. Pauli, na Alemanha. Será?


Leia o excelente artigo da Trip sobre a visita do Madureira à Cuba: http://revistatrip.uol.com.br/revista/189/reportagens/che-e-madureira.html

30 de março de 2014

Documento1 - Microsoft Word

Pisar num gramado pela primeira vez deve ser uma sensação incrível, mas provavelmente nem se compara ao prazer de escrever para um blog de tanto renome. O frio na barriga é inevitável, mas é só a bola rolar que o craque brilha.

Já vinha combinando há um tempo com dois amigos de visitar a Rua Bariri, ilustre estádio do Olaria. Coincidentemente decidimos ir na mesma semana em que rolou a ideia de voltar a escrever depois de um tempo parado. Mesmo que de forma tardia, já que o jogo aconteceu no dia 22, resolvi dedicar essa primeira postagem pra esse encontro que, com certeza, traria muitas histórias.

Além de acompanhar jogos da série B do Carioca, esse clima de subúrbio nos arredores de estádios como a Bariri me fascina. Vivi isso minha vida inteira, praticamente no quintal de casa. Mas o Moça Bonita fica pra outro dia.

Chegamos cedo e decidimos comprar logo o ingresso e visitar um bar qualquer, mas estranhamente a bilheteria estava fechada. Fomos então até a Social do clube e descobrimos que o jogo seria com portões fechados. Nossa indignação com a falta de informações sobre isso quase acabou com nosso ânimo, mas isso é papo lá pra baixo. Mesmo com muita insistência não teve jeito: fomos barrados. Resolvemos dar a volta no estádio, só porque não tínhamos mais nada pra fazer mesmo. No caminho, avistamos uma feirinha de roupas femininas dentro do próprio estádio. Entramos, compramos umas roupas íntimas, e vimos um cubículo que era usado como provador e tinha vista para o campo. 



Pois é, eu também me envergonho disso, mas nos apertamos ali e fechamos pra que ninguém entrasse. Pelo menos conseguimos ver o final da preliminar entre os juniores, porém quando nos demos conta de quão ridículo seria passar 90 minutos ali, saímos. Mais uma volta e paramos novamente na Social do clube, onde fica o restaurante. Observamos uma porta aberta que dava acesso ao Salão Nobre, que imaginamos ter uma vista privilegiada do campo. Enquanto um mostrava as peças que tínhamos acabado de adquirir na feirinha pro segurança, os outros entravam escondidos no salão de festas. Entre as pilastras conseguimos ver uns dez minutos de jogo, mas infelizmente fomos notados por seguranças que estavam no gramado e preferimos, mais uma vez, abandonar a missão.

Mas o dia não poderia terminar melhor: um boteco na própria rua Bariri. Um final regado à cerveja barata e costela na brasa, ao som de José Augusto e Belchior na jukebox. Ah, o jogo era Olaria x Americano valendo pela nona rodada da série B do Campeonato Carioca e terminou em 1x1. 

Descaso com a torcida

Abandonando o lado cômico da história, volto à informação (ou falta dela) sobre o jogo. Pode até ter parecido displicência, mas como de costume olhamos os portais de esportes e até o site da própria FERJ em busca de detalhes sobre o jogo como escalações, preço dos ingressos, abertura dos portões, carga total de ingressos, etc. e não achamos nada. Fico muito triste com esse desdém da federação com os torcedores. 

É sabido que isso também acontece na série A, claro que em menor escala, mas nas divisões de acesso esse fato é gritante. Nossos portais de comunicação esportiva, mesmo os não-tradicionais, parecem não fazer questão de noticiar o pequeno. Existe uma massa ainda ativa que precisa de informações prévias. Vi alguns senhores que vieram de longe muito desapontados não só porque foram impedidos de ver o jogo, mas também por não haver nenhum aviso oficial do clube. O próprio Olaria não tem site oficial, o que dificulta ainda mais e acaba afastando sua torcida.


Nota do editor

Ao buscar uma forma de contato com a FERJ pela própria página da instituição, tivemos a surpresa de ter dado erro nas três tentativas de enviar a mensagem (clique na imagem abaixo). Por essas e outras, para as próximas postagens estamos preparando uma breve análise dos sites dos clubes da série A e B do Campeonato Carioca. Aguardem.


Sejam bem-vindos!

Dá-se início ao segundo tempo d'Os Quase Relacionados!

Segundo tempo pois trata-se de uma volta após um longo intervalo. O time continua o mesmo, mas em nova casa e com outra proposta de jogo. Não cabe aqui entrar em detalhes, pois nosso primeiro tempo foi breve e de poucas lembranças de terceiros. Bola pra frente!

O time continua sendo formado por Claudio Tadashi e Rovany Trindade, que como bons torcedores de arquibancada, precisam de um espaço para cornetar e refinar o olhar antropológico e jornalístico, respectivamente. Ao longo das postagens o estilo de cada um ficará evidente, assim como a proposta da página.

Por sua vez, a casa vai ao ar ainda inacabada. Embora a semelhança com as arenas da Copa, aqui a arquitetura será mais simples, prezando pela boa experiência de leitura. Idéias estão surgindo e em breve ela estará mais arrumadinha. Não reparem na bagunça.

Começaremos com um texto do Rov e sua frustada (mas de final feliz) ida à rua Bariri na semana passada. Boa leitura!