21 de abril de 2014

Goytacaz 5 x 1 Queimados - gols, virada, recorde e muita confusão

Placar do Aryzão exibe com orgulho: Goytacaz 5 x 1 Queimados

O título da postagem, embora não queira, poderia ter ainda mais cara de anúncio de filme da Sessão da Tarde. Se adicionarmos: festa, comida boa e cornetagem, não só teríamos uma bela aventura na televisão, mas também o que foi Goytacaz e Queimados pela Série B do Campeonato Carioca.

Antes de apresentar o motivo de uma partida pela Série B do Campeonato Carioca, ser tão divertida em uma quarta à noite, é preciso explicar como cheguei até lá. Desde 2011 moro em Campos dos Goytacazes, e posso dizer que desde 2012 acompanho com a frequência que me é permitida partidas do Goytacaz. E foi justamente em 2012 que pela primeira vez vi o Goytacaz em ação, em um empate sonolento contra o America, também pela Série B.

Em Campos dos Goytacazes costuma-se dizer que o Goytacaz tem a quinta maior torcida do estado do Rio de Janeiro, o que se mostra no predomínio nas listas de maiores públicos do Campeonato Carioca (inclusive entre clubes da Série A). Mas a maior prova ainda é ver ao vivo a torcida do Goytacaz comparecendo em massa ao estádio Ary de Oliveira e Souza, mesmo o time longe da primeira divisão desde 1992.

Assistir uma partida no Aryzão (como conhecido), é resgatar toda essência que o futebol brasileiro tem deixado escapar, principalmente nos últimos anos. Ver bandinha tocando durante a partida, concentração feminina nas torcidas organizadas, torcedor com radinho no ouvido, pipoca fresca, cocada caseira e churrasquinho de gato. Tudo tão barato que me faz esquecer do cachorro quente do Maracanã à 8 Reais e com dois pingos avermelhados que chamam de molho.

Bom, só isso já torna o entretenimento que é ir ao Aryzão melhor que assistir a Copa do Brasil na TV, mas vamos ao jogo.

O experiente Bóvio, campeão brasileiro em 2004, aquece durante a preliminar.

Enquanto acontecia a preliminar do sub-20 entre as duas equipes, torcedores presentes já teciam suas primeiras impressões sobre o Queimados. "Parece o Americano", era o que mais se ouvia nas arquibancadas, sobre o fato do uniforme da equipe visitante lembrar o do seu grande rival.

Com a bola rolando, se via a fraca campanha que as duas equipes apresentaram durante o primeiro turno do campeonato. Muitos gols perdidos e passes errados em ambos os lados. Apesar do domínio apresentado pelo Goytacaz, foi o Queimados quem abriu o placar com Celsinho. Após o gol inaugural, um integrante da comissão do Queimados comemorou de forma que torcedores do Goytacaz que estavam em volta (me encontrava nesse mesmo setor) consideraram agressiva. Parte da comissão do Queimados e dos atletas da base, acompanhavam a partida no setor atrás da meta defendida pelo goleiro visitante, e junto dos torcedores da casa, já que não havia um espaço destinado aos visitantes (e não havia torcida visitante). Junto com o início do tumulto, algum torcedor gritou que um membro do Queimados estava armado (o que não foi provado) e enquanto a segurança ainda chegava para compreender e acalmar a situação, os jovens torcedores da torcida organizada com mais integrantes no estádio, saiam das arquibancadas do outro lado do estádio, para ir em direção aos integrantes do Queimados, o que foi impedido pelos seguranças. O tumulto só se acalmou com o pênalti e gol marcado por Ricardo Bóvio, nove minutos após o gol do Queimados. Por fim, foi destinado um "espaço" no canto superior do mesmo setor e não voltou a ocorrer problemas entre os envolvidos.


Parte da comissão e atletas do Queimados que acompanhavam a partida, olhando em direção à entrada do setor, onde seguranças evitavam a entrada da torcida organizada do Goytacaz.

Com pouco tempo de jogo no segundo tempo, já era perceptível a superioridade técnica do Goytacaz. Bastaram alguns minutos para vir a vitória seguida de uma espetacular goleada. Antes dos 10 minutos o Goyta já ampliava o placar para 3 a 1, com gols de Bruno Britto e Rafael Rebelo. O mesmo Rafael Rebelo marcou o quarto de cabeça, e quando a partida parecia terminar nos 4 a 1, Gilmax, ainda longe do destaque que a torcida espera, dá uma arrancada do meio de campo, recebe e com um toque no canto fecha o placar. Festa da torcida e esperança que nesse segundo turno, a postura seja a do elenco que era tido como um dos mais fortes da competição.

Recorde

A vitória além do ajudar o Goytacaz na campanha para subir à primeira divisão, também mantém um recorde nacional pertencente ao alvianil de Campos. Atualmente, o Goytacaz tem a maior invencibilidade jogando em casa dentre dos clubes brasileiros. Com a vitória sobre o Queimados, o Goyta já não perde jogando há 33 partidas como mandante. Leia mais sobre o histórico recente do Goytacaz.

9 de abril de 2014

Moda suburbana

Che Guevara e Madureira em 1963
Em 2013, o time de Fut 7 do Madureira lançou um uniforme em homenagem aos 50 anos da excursão da equipe por Cuba. O bicampeonato da seleção brasileira em 1958 e 1962, motivaram o convite cubano para o tricolor. Ainda que a excursão tenha passado por outros países, a ida do Madureira à Cuba ficou marcada. Primeiro pelo fato do Madureira ser o primeiro time estrangeiro a disputar partidas em Cuba, após a revolução de 1959. Além disso, o Madureira terminou seus cinco encontros pelo país com cinco vitórias. Tamanho destaque é visto no encontro que houve entre o elenco e Ernesto Che Guevara (foto acima), antes da última partida do Madureira em Cuba, contra a seleção local. Os dois uniformes lançados ano passado, um de linha e outro de gol, remetem não apenas ao país cubano, como também a Che. Sendo o de linha na cor grená e o de goleiro a bandeira de Cuba. Em ambos está estampado o rosto de Che Guevara.

Uniforme lançado ano passado pelo time de Fut 7 do Madureira
Rapidamente o lançamento do Madureira se tornou notícia mundial, alcançando veículos como a CNN. A boa repercussão fez a equipe de futebol utilizar o uniforme no estadual desse ano na partida contra o Vasco. Vale lembrar que o uniforme do time de futebol do Madureira lançado esse ano, não vieram nas tradicionais três cores da equipe. Embora ainda tricolor, o Madureira esse ano jogou de azul, roxo e branco. Cores que remetem as primeiras da agremiação, que completa cem anos em 2014.

Menos de um ano após a camisa em homenagem à Che Guevara e Cuba, o time de Fut 7 do Madureira, lança outro uniforme que faz referência aos passeios que o clube fez pelo mundo durante a década de 60. Na semana passada, o FutRio noticiou que o novo uniforme do time de Fut 7 do Madureira, faria alusão aos 50 anos da excursão da equipe pela China de Mao Tse Tung. A temporada do Madureira na China ficou conhecida como “a viagem proibida”, devido a proibição imposta pela FIFA para a não disputa de jogos de futebol em terras chinesas. Fora essa imposição por parte da FIFA, aqui no Brasil acontecia o golpe militar em oposição a “ameaça” comunista.

O uniforme de linha predominantemente amarelo, traz em mandarim a frase “viagem proibida”, e o ano de 1964. Já o uniforme de goleiro, é a bandeira chinesa, assim como foi feito com a de Cuba.

A nova peça do Madureira não parece ter um apelo midiático e comercial tão grande como a do ano passado, mas não custa ficar de olho no que irá dar esse novo lançamento. Mesmo sem todo apelo do ano passado, o mercado chinês pesa nessa nova ação do Madureira. É interessante também pensar que essa reaproximação do Madureira com cubanos e chineses, não possam resultar numa simpatia maior dos brasileiros pelo viés ideológico, algo próximo do símbolo cult que se tornou o St. Pauli, na Alemanha. Será?


Leia o excelente artigo da Trip sobre a visita do Madureira à Cuba: http://revistatrip.uol.com.br/revista/189/reportagens/che-e-madureira.html